É hora de dormir, amanhã o despertador tocará às 6 horas da manhã. Todos os médicos frisam a necessidade de dormir entre 7 e 8 horas por noite para despertar com disposição. Você está consciente disso, mas sua mente é teimosa… insiste em pensar, em vez de descansar. Ela é permeada pelos mais diversos pensamentos: os problemas e conquistas com o trabalho, os compromissos atrasados, o familiar doente, o amigo que não ligou, o romance inacabado e… a própria incapacidade de pegar no sono. Os olhos continuam vidrados no teto do quarto enquanto você, em vão, ordena, já nervoso: “corpo, descanse! Eu estou cansado!” E, então, depois de muito tempo, como que por passe de mágica, a fadiga te derruba. Há sonhos e tudo mais. Porém, depois de uma hora de tranqüilidade, sei-lá-por-que-raio, você acorda. Volta a dormir, mas acorda de novo. Às vezes você levanta, percorre a casa, vai ao banheiro… outras, você apenas se remexe na cama. A noite inteira torna-se um perpétuo vaivém de dorme-acorda-dorme-acorda. E, quando você menos quer, o despertador toca como se avisasse: “não dormiu bem de novo, hein?”
É a insônia, uma doença psicológica e física. Seus sintomas são a dificuldade para dormir, despertar diversas vezes ao longo da noite e não ter um sono restaurador. Há três tipos de insônia, a de curto prazo, a intermitente e a de longo prazo.
Segundo a estudante de medicina da Unicamp, Bruna Gil Ferreira, “esta doença está se tornando cada vez mais comum nos dias de hoje devido ao nosso modo de vida. Antigamente o índice dela era muito menor.” Ela explica que, atualmente, a rotina das grandes cidades exige cada vez mais das pessoas e que isso gera doenças que causam a insônia, assim como o estresse. Além disso, a estudante coloca que a dificuldade de dormir pode decorrer de hábitos muito freqüentes nos nossos dias, como passar muito tempo frente ao computador ou à televisão e “não ter horário fixo para dormir.” Bruna afirma que, hoje, “as pessoas dormem na hora que dá, elas não mantêm uma rotina para dormir”.
A insônia também pode ser produto de diversos tipos de doenças físicas. A estudante insiste que mesmo esses casos são, majoritariamente, frutos do nosso tempo: “normalmente as doenças que causam a insônia são respiratórias, diretamente relacionadas com uma poluição própria da atualidade.” Porém, há doenças como artrite, apnéia e narcolepcia que também geram dificuldades para dormir e que não estão relacionadas com o nosso modo de vida.
De acordo com Bruna, a doença é mais comum em idosos muito parados, “pois, como descansam o dia inteiro, não sentem sono à noite”. Este é o mesmo motivo para os depressivos serem acometidos pela insônia: “são pessoas muito paradas”. É por isso que uma das grandes recomendações para quem é acometido pela dificuldade de pegar no sono é realizar exercícios físicos ao final da tarde.
Quem sofre a doença deve ser direcionado a um neurologista, que, dependendo da raiz do problema, envia o paciente para outros profissionais da área médica ou psicológica. Se a causa da insônia for uma doença, é necessário tratá-la. Se a causa for o modo de vida, é preciso mudá-lo ou aprender a conviver com ele. Para o último caso, os métodos de ataque ao problema são variados: vão desde exercícios físicos até cromoterapia. Em geral, são muito eficientes exercícios respiratórios, meditação e ioga. Outra prática, aparentemente banal, que também demonstra resultados é contar carneirinhos.
Há muitos estudos sobre os problemas do sono, mas são ainda muito recentes. Devido a isso, como diz Bruna, “não há nada muito estabelecido”. Existe, no entanto, clínicas especializadas no assunto, como a Clínica do Sono, de mais de 20 anos.
A insônia é um problema mais sério do que aparenta ser, pois o corpo, como todos estamos cansados de saber, precisa do sono. E mais que isso, precisa de sono de qualidade. A falta deste pode gerar dores de cabeça, irritabilidade e falta de concentração.
