Por Patrícia Pereira e Rafaella Finci
“Sim, sou brasileiro e bem brasileiro. Na minha música eu deixo cantar os rios e os mares deste grande Brasil. Eu não ponho mordaça na exuberância tropical de nossas florestas e de nossos céus, que eu transponho instintivamente para tudo que escrevo.”
No próximo dia 17, a morte do compositor Heitor Villa-Lobos completa 50 anos. A data merece homenagem – que vem sendo feita no Brasil desde o começo do ano – pela genialidade de Villa-Lobos, que mostrou o verdadeiro Brasil, para o país e para o resto do mundo.
Seu contato com a música se deu por influência familiar, ainda que a mãe, Noêmia, sonhasse com seu filho se tornando médico. Com seis anos, seu pai, Raul Villa-Lobos, músico amador, lhe ensinou clarinete e violoncelo – este último com uma viola virada de cabeça para baixo. Além disso, foi sua tia Zizinha que lhe mostrou a obra de Johann Sebastian Bach, que no futuro serviu de inspiração para suas nove Bachianas Brasileiras.
Sua obra foi bastante influenciada pelos cantores de choro, estilo musical praticado nas ruas do Rio e mal-visto pela sociedade do século XIX. Com a morte do pai, Villa-Lobos começa a estudar violão sozinho.
Já com 18 anos, Heitor Villa-Lobos se juntou aos “chorões” e partiu para conhecer o Brasil, passando pelos estados do Espírito Santo, Bahia e Pernambuco, em busca do folclore local. Essas viagens, que se juntaram a um já pequeno conhecimento sobre o interior do Rio de Janeiro e de Minas, onde morou na infância, lhe mostraram a cultura tipicamente brasileira, recriminada pela “alta sociedade” carioca.
O compositor se casou, em 1913, com a pianista e professora Lucília Guimarães, que teve papel importante na interpretação de sua obra e, dois anos depois, sua carreira passou a ser oficial, com concertos no rio. Junto com Lucília, ganhou a vida tocando violoncelo em orquestras de teatros e cinemas, enquanto escrevia sua própria obra. Por seu aspecto peculiar, de valorizar uma cultura ignorada, Villa-Lobos foi bastante criticado pela mídia, que o acusava de “modernidade”. Sua obra, bem como a de outros novos compositores, teria a pretensão de acabar com a música clássica, de ser dissonante e transviada. Um “Império do Absurdo” nas palavras de Oscar Guanabarino, do Jornal do Comércio.
Passando por cima das críticas, Heitor Villa-Lobos participou da Semana de Arte Moderna, e conseguiu, com verba da Câmara dos Deputados, ir ao Velho Continente, onde começou a se habituar ao ambiente parisiense na companhia de Tarsila do Amaral e outros artistas brasileiros. Quando voltou ao Brasil em 1930, o compositor se sensibilizou com a questão do ensino musical nas escolas, e montou um plano apresentado à Secretaria de Educação de São Paulo, que foi aprovado.
Como resultado desse esforço, dois anos depois, foi convidado pelo Secretário de Educação do Rio de Janeiro, Anísio Teixeira, para organizar a Superintendência de Educação Musical e Artística (SEMA). Por conta de seu nacionalismo, Villa-Lobos tinha, na época, o apoio de Getúlio Vargas para fazer aperfeiçoar o estudo da música e criar, em 1942, o Conservatório Nacional de Canto Orfeônico.
Tuhu – seu apelido de infância que significa labareda, em tupi – consagrou-se no exterior e em 1944, em meio à II Guerra Mundial, aceitou, com resistência, um convite do maestro norte-americano Werner Janssen para uma turnê nos Estados Unidos. Isso porque criticava os EUA e, em meio à “política da boa vizinhança”, desejava ser convidado por suas qualidades artísticas e não por um acordo político. Heitor Villa-Lobos tornou-se assim, conhecido e adorado mundialmente. Morreu em 1959, vítima de câncer.
É curioso notar o fato de que um grande da música fosse tão bagunçado. Começava obras sem terminar outras e tinha mania de compor no lugar que estivesse: no ônibus, durante o banho, num parque. Talvez fosse fruto de sua genialidade, que tinha pressa de ser realizada. Uma figura com um talento tão peculiar, só poderia apresentar muitas curiosidades; o site da Folha Online publicou algumas.
Vale a pena ficar atento aos eventos em sua homenagem, como o Festival Villa-Lobos no Rio. Além disso, em 2000 estreou o filme Villa-Lobos – Uma Vida de Paixão , dirigido por Zelito Viana e que conta a sua vida, interpretada por Marcos Palmeira e Antônio Fagundes.
Quem quiser baixar sua obra completa para o violão, clique aqui.


1 resposta Até agora ↓
jolpuc // Terça-feira, 10 Novembro 2009 às 7:18 |
Rafaella e Patrícia,
Ótima homenagem ao mestre Villa-Lobos meninas!
Pollyana