por Guilherme Zocchio e Pedro Moutropoulos
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Tá na hora da receita dar certo. Sempre que alguém tentou trazer o mundo dos games pras telonas o resultado não foi bem aquela coisa. Meio que os personagens ficam estranhos, as histórias são distorcidas e, no fim, tudo dá errado – ou melhor, no começo mesmo, já que a idéia por si só nunca é bem trabalhada.
A esperança de que isso talvez mude fica no lançamento de “Prince of Persia – The Sands of Time”, previsto para maio de 2010, em que o trailer, pelo menos, promete. Game este que, aliás, começou como uma aventura linear e no melhor estilo 2D – caso alguém não recorde.
Para outros filmes, contudo, também houve a mesma expectativa. E desapontaram tanto, mas tanto, que até desencorajaram alguns gamers a jogarem seus jogos favoritos após a ida destes às telas – experiências pessoais não faltam para confirmar.
O problema é que quase nunca a história, a trama, os melhores pontos de cada game buscam ser os melhores pontos dos respectivos filmes. Prova disso são “Resident Evil” e “Doom”, cujos jogos se destacam pelo suspense e por toda a tensão que criam, e cujos filmes foram só mais um monte de armas e ação. Coisa que acontece já há algum tempo.

Resident Evil: no game, dava até para ouvir o coração da personagem batendo de medo; no filme, a protagonista tem mais sangue nos olhos que os próprios zumbis
Em 1993, “Super Mario Bros.” foi o terrível marco inicial. Na época, os jogos do Mario se resumiam a simplesmente salvar a princesa das mãos do malvadão Bowser – se é que estão diferentes hoje -, a idéia do filme, então, não havia tanto para fugir do original. Mas os produtores se superaram em concretizar o horrível. A estética e os elementos da história passaram longe, e o enredo, que não tinha quase como ser desviado, conseguiu ser péssimo – até o ponto de no final a pricesa ficar com o Luigi e não com o Mario.
E foram se sucedendo mais e mais trapalhadas. Game após game, filme após filme, ano após ano, a insistência em destruir a imagem de grandes clássicos do mundo dos jogos persistiu. Para “Street Figther” não bastasse um, mas lançaram dois filmes – dos quais é difícil dizer qual foi pior, até porque o segundo nem chegou a vir ao Brasil -; para “Mortal Kombat”, a mesma coisa – estando previsto ainda um terceiro – e para tantos outros: “Tomb Raider”, “Silent Hill” e “Final Fantasy”.
Quando se faz um filme baseado num livro, num clássico da literatura, se toma todo um cuidado para agradar à crítica e aos fãs. Quando se faz um game baseado no filme, a idéia é explorar elementos que não apareciam na história original.
Só que quando se faz um filme baseado num game, parece que a intenção é ser o menos fiel possível à obra original. Será que já não passou da hora de levar isso mais à sério?


