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“Por nós e para todos nós”

Sexta-Feira, 20 Novembro 2009 · Deixe um comentário

Por Gabriela Costa e Fernanda Miranda

Para quem ficou em São Paulo nesse feriadão, uma boa dica cultural é o evento da Natura “Nós About Us” que acontecerá amanhã e domingo na Chácara do Jockey ( ATENÇÃO: o evento mudou para este local, antes aconteceria na Pista de Atletismo do Ibirapuera). É um festival que tem a proposta de fazer as pessoas refletirem sobre as relações entre elas e com o planeta, buscando um mundo melhor  e mais harmônico, feito com “consciência por nós e para todos nós”. Para mergulhar nessa experiência o evento trará desde apresentações artísticas até atividades de conscientização ambiental – um dos grandes parceiros será a SOS Mata Atlântica. Os shows contarão com artistas nacionais e internacionais. Uns dos músicos mais esperados são Sting e Jason Mraz.

O festival se dividirá em duas etapas: O primeiro dia terá atrações direcionadas a crianças; O segundo contará com as principais apresentações, como Lenine, Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, AfroReggae e os cantores internacionais. Você pode interagir e acompanhar tudo o que vai rolar através do twitter da Natura. Confira a programação e os preços abaixo:

Agenda de Shows – Dia 21/11 – Sábado

10h – 11h Meninos do Araçuaí
11h – 12h Afro Mix
13h – 14h Turma da Mônica
14h – 15h Palavra Cantada
16h – 17h Hi 5

Preços:
Criança até 3 anos – grátis
Criança de 3 a 12 anos – R$ 25
Estudante – R$ 25
Inteira – R$ 50

Agenda de Show – Dia 22/11 – domingo

Abertura dos portões: 12h
Classificação: 14 anos
14h30 – 15h AfroReggae
15h15 – 15h45 Arnaldo Antunes
16h15 – 17h Carlinhos Brown
17h30 – 18h15 Lenine
18h45 – 20h Jason Mraz
20h30 – 22h Sting

Preços:
Pista Premium – R$ 500
Pista – R$ 200
Cadeira – R$ 240
Arquibancada – R$ 120

Ingressos: Morumbi Shopping (av. Roque Petroni Jr. 1089, loja 46ª, estacionamento piso G1), www.livepass.com.br e pelo telefone 4003-1527

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“Um sorriso negro, um abraço negro traz felicidade”

Sexta-Feira, 20 Novembro 2009 · Deixe um comentário

Por Jussara Caetano

Os negros brasileiros entraram em nas nossas vidas durante décadas marcando a história da cultura brasileira com uma forma singular e encantadora.
Entre os grandes ícones da música brasileira está Jamelão lembrado com um ar saudosista por quem ama o Samba, que sempre teve a presença negra como protagonista e que foi o reduto de tantos bons artistas, adoçando com seus versos a população da Mangueira. Continuando em um swing que é encontrado em poucos artistas tem que se lembrar de Wilson Simonal e Jair Rodrigues que marcaram presença entre nos grandes festivais e levaram o país a um êxtase.
Nos grandes palcos ou nos pequenos o talento dos negros brasileiros ganhou destaque pela luz de atores como Milton Gonçalves que enchem olhos de quem o vê em cena com sua voz que traz a emoção dos personagens da vida. E o que falar do majestoso Grande otelo

Jamelão, Cartola, MV Bill, Sandra de Sá, Mussum, Cruz e Souza, Jorge Ben Jor, Elza Soares, Gilberto Gil, Zeze Motta, Grande Otelo, Milton Nascimento, Milton Gonçalves, Tim Maia, Wilson Simonal.

que tinha o dom da comédia e constriu uma carreira como ator que  influência atores até hoje. Junto com Zezé Mota que é atriz e cantora e expressa a graça da mulher negra.
A representação na literatura que sempre foi algo distante da realidade do povo excluído é lembrada pela construção com delicadeza e sofisticação dos versos foi Cruz e Souza que fortaleceu e abriu um espaço para o desenvolvimento de novos escritores.
O caminho trilhado pelos negros na cultura reflete um país que sendo de maioria miscigenada agrega uma quantidade enorme de talentos consagrados ou novos na cena artística atual, entre esses citados existem muitos outros que engrandecem a cultura do país.

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Para mente e para alma

Sábado, 14 Novembro 2009 · Deixe um comentário

 

Por Jussara Caetano

“Para os que viajam, as estrelas são guias”, assim a exposição “O pequeno príncipe na Oca” nos leva a navegar nas lembranças mais doces da infância. Os ambientes são cercados de estrelas que dão luz ao universo do pequeno príncipe que inspira a imaginação e emociona com a singeleza e as imagens poéticas.

Pequeno_(4)

Pequeno Príncipe

O projeto cenográfico da exposição materializa a vida de Sant Exupéry contanto a história de sua vida e exaltando a paixão do autor pela aviação, com uma replica do avião e objetos pessoais mesclando aspectos semelhantes da vida do autor com O pequeno Príncipe.

Anoine de Sant-ExupéryAmbiente com réplica do avião

A exposição é parte da comemoração do ano da França no Brasil, o autor do pequeno príncipe Antoine de Sant Exupéry foi um aviador e como escritor seus textos eram caracterizados pela guerra e a aviação. O pequeno príncipe foi escrito durante o exílio nos Estados Unidos, em meio aos conflitos da segunda guerra, Sant Exupéry construiu um mundo cheio de personagens que tem uma carga de simbólica e faz um contraste com a vida turbulenta da guerra, poder de humanização do livro para uma sociedade que perdia seus valores e o significado da vida.

A importância do resgate de obras como esta que através de uma forma lúdica desafia o homem a repensar seu papel no mundo é essencial quando nos deparamos em uma época conturbada como agora.

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Ou vai ou fica!

Sábado, 14 Novembro 2009 · Deixe um comentário

por Felipe Fontana, Marília Marrafon e Rafael Albuquerque

Há muito tempo que não se sabe bem ao certo o destino do Aerosmith, mas, para piorar, nessa semana soube-se que nem mesmo os próprios membros do grupo sabem ao certo o que acontecerá com a banda no próximo ano.

Desde que sofreu uma queda no palco em um show na Dacota do Sul, nos Estados Unidos, e teve alguns ferimentos, parece que o vocalista Steven Tyler tem a usado como um pretexto para não voltar para a banda. E deu certo.

Não seria exagero dizer que num período de uma semana, o Aerosmith se desfez e voltou, no mínimo, duas vezes. Mas os próprios fatos fazem isso não soar como um choque até para o fã mais otimista. O guitarrista Joe Perry já possui um trabalho paralelo, o “Joe Perry Project”, e está muito empenhado na sua turnê. Ao mesmo tempo, o baterista Joey Kramer arrumou tempo para escrever um livro em que conta sua vida no Aerosmith, nas clínicas de reabilitação, com as drogas, bebidas etc.

Mas, tão logo, na mesma semana em que Perry anunciou que a banda continuaria mesmo sem Tyler — se é que isso é possível — o vocalista, que não tinha contato com qualquer membro do grupo desde seu acidente, rapidamente reapareceu para garantir sua vaga de frontman. Isso aconteceu em um show do projeto de Joe Perry, aonde ele diz: “Eu apenas desejo que Nova Iorque saiba, eu não estou saindo do Aerosmith”. Abaixo, o vídeo mencionado.

Caso o grupo realmente continue tocando ano que vem, ao menos um show já está garantido. Em 2007, eles tinham uma apresentação marcada na Ilha de Mauí, no Havaí, e, segundo alguns fãs, a banda a cancelou por motivos financeiros: no lugar, foram tocar em Chicago e em Oahu, também no Havaí, mas para um seleto grupo de empresários do setor automobilístico. Por isso, centenas de pessoas que compraram entradas abriram um processo contra a banda, que, para não ter que pagar uma indenização milionária, tocará de graça para os fãs.

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A magia da arte de rua

Domingo, 1 Novembro 2009 · 1 Comentário

Por Jussara Caetano

 A arte do grafite revelada pelos OsGemeos, que  invadiu o mundo com sua personalidade e os traços urbanos das grandes metrópoles é apresentada em uma exposição no Museu de Arte Brasileira.

Otávio e Gustavo Pandolfo

Otávio e Gustavo Pandolfo

Típicos paulistanos, Otávio e Gustavo Pandolfo começaram sua carreira pintando muros do Cambuci e logo ganharam o mundo, seus traços inconfundíveis podem ser encontrados andando pelas ruas de São Paulo, entre suas pinturas em São Paulo está a fachada da Fortes Vilaça, no bairro da Vila Madalena, com quem eles tem contrato. No exterior suas obras mais conhecidas estão em Londres na fachada do Tate Modern e em NY no muro que cruza a Bowery com a Houston.

Fachada Fortes Villaça

Fachada Fortes Vilaça

A mesma cidade que foi o reduto da arte d’OSGEMEOS cometeu o “engano” no ano passado de apagar seus grafites por causa de um projeto da prefeitura que pretendia revitalizar fachadas da região central, em um dos casos foi apagado um mural de 680 metros entre Avenida 23 de Maio e o elevado Costa e Silva. Alguns meses depois foi reinaugurado com um novo grafite d’OSGEMEOS  e mais quatro artistas, quanto aos outros grafites apagados não houve reposição.

A exposição condensa grafites e esculturas inéditas que refletem o mundo urbano como um caleidoscópio que entre a realidade e o sonho e enche os olhos de quem vê. Com um vasto histórico suas obras já percorreram o mundo e fascinam a todos pelos contrastes entre a melancolia e a alegria das cores que criam um mundo lúdico e que nas entrelinhas fazem uma crítica social, quebrando o preconceito contra o grafite e arte de rua que é desenvolvida por quem, na maioria das vezes, está a margem da sociedade e dissociando o grafite da pichação.

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Arte diretamente das ruas francesas

Terça-feira, 27 Outubro 2009 · Deixe um comentário

               A exposição ”O espetáculo esta na rua”, mais um evento do ano da França no Brasil, traz uma coleção de 72 cartazes da Maison du livre et de l’affiche, da cidade francesa de Chaumont. As obras pertencem aos períodos de transição do século XIX para o XX e dos anos 80 e 90 do século XX, importantíssimos para as artes gráficas. O primeiro remete ao inicio do uso de cartazes para a divulgação de atividades culturais e produtos nas cidades, o segundo, o esgotamento do modernismo. Trazendo de volta certa rigidez e formalismo, mas sem abandonar certas regras do período anterior, já incorporadas.

pierre bonnard

France-Champagne de Pierre Bonnard

                Dentre as obras do final do século XIX encontram-se cartazes de grandes nomes do grafismo francês, dentre eles: Henri de Toulouse-Lautrec, famoso por pintar a vida boêmia dos cabarés; Firmin Bouisset, que introduziu a figura da criança na publicidade; Pierre Bonnard, pintor que tem seus cartazes influenciados pelo japonismo (caracterizado pelas cores chapadas, contornos espessos para delimitar as superfícies e assimetria); e Jules Chéret, considerado o pai do cartaz na França.

Roman Cieslewicz

Corps Diplomatique de Roman Cieslewicz

                Do cenário contemporâneo, a exposição trouxe obras de: Roman Cieslewicz, polonês considerado um dos maiores mestres do grafismo na segunda metade do século XX; Claude Baillargeon, autor de cartazes engajados como o Liberté, Égalité, Fraternité (liberdade, igualdade e fraternidade em francês, uma das obras de maior destaque do evendo); e Muriel Paris, que foi uma das mulheres pioneiras na profissão, na década de 80. 

                Uma característica interessante que se percebe ao observar as obras é o engajamento que existe nas contemporâneas, tal postura é inexistente nas da transição do século XX. Talvez um dos maiores representantes dessa tendência atual seja o cartaz Corps Diplomatique (Corpo Diplomático) de Roman Cieslewicz, que exibe um corpo esquelético de forma a lembrar a necessidade de ação de outro corpo, o diplomático.

Toulouse-Lautrec

Le sSalon des Cent de Toulouse-Lautrec

                A exposição esta no instituto Tomie Ohtake, do dia 15 de outubro a 22 de novembro, a quem interessar vale à pena conferir e refletir, a entrada é gratuita.

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Que “raloim” que nada…

Sexta-Feira, 23 Outubro 2009 · 1 Comentário

Por Gabriela Costa e Fernanda Miranda

No dia 31 de outubro é a vez de se comemorar o Dia Nacional do Saci e Seus Amigos. Esse dia foi instituído na cidade de São Paulo por uma lei de março de 2004, graças a uma batalha incrível da associação SOSACI (Sociedade dos Observadores de Saci) e outros voluntários em prol da valorização da cultura nacional. Na data em que o Brasil inteiro comemora o imperialismo americano, através do Halloween, a associação propõe uma resistência cultural, incentivando um resgate a nossa identidade, ao nosso imaginário, aos nossos mitos e lendas: Viva ao Boitatá! Viva ao Curupira! Nada dessa história de “trick or treat?”, viva a simbologia do Saci!saci 1 Para comemorar, no próximo sábado haverá a Festa do Saci, promovida pelo bloco Lira da Vila, com apoio da SOSACI e da Biblioteca Monteiro Lobato. Além disso, ocorrerá uma série de oficinas e apresentações nas próximas semanas – neste sábado haverá uma oficina de Gravura com a consagrada artista Marlene Crespo. Vale a pena tirar a roupinha de bruxinha, conferir a programação e vestir a carapuça do Saci!
Cartaz Festa do Saci

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Por um Ney Matogrosso menos agressivo

Quinta-feira, 22 Outubro 2009 · 1 Comentário

por Felipe Fontana, Marília Marrafon e Rafael Albuquerque

Um mix de bolero, tango e com algumas pitadas de jazz. Diferente de seu último disco, “Inclassificáveis”, Ney Matogrosso deixa transparecer uma necessidade sincera de revezar álbuns mais pesados e introspectivos com gravações mais calmas. Seu comportamento e figurino hostis da última turnê ficaram para trás.

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Ney Matogrosso lança seu 32º álbum, "Beijo Bandido"

“Beijo Bandido”, novo disco de Ney, mostra, além de um caso raro de perfeita harmonia entre um artista de primeira linha e uma grande gravadora, é um trabalho intimista ao seu modo, apresentando uma linhagem mais acústica do cantor.

Conhecido por sua ousadia nos palcos, Ney confirma que mesmo sendo um disco repleto de regravações, há sim um certo ineditismo. “Há ineditismo, sim. Não apenas pelo fato de as músicas terem outras roupagens. Algumas canções são completamente desconhecidas. De dez em dez anos, as pessoas não se lembram de mais nada”, disse o músico.

Em “Beijo Bandido”, ele volta a centrar mais as atenções na canção. E já começa dando ares diferentes para “Tango para Teresa”, sucesso dos anos 70 na voz de Ângela Maria. Outras músicas, como “Nada por Mim”, parceria de Herbert Vianna e Paula Toller e “De Cigarro em Cigarro”, de Luiz Bonfá também são remodeladas pela maneira singular de Ney.

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Arte velha inovada

Terça-feira, 13 Outubro 2009 · 2 Comentários

Por Julia Boarini

Ir ao museu, encontrar obras de arte clássicas, admirá-las, pegar um folheto e ir embora. Até então, era essa a rotina de visitação. A mudança máxima seria fazer uma visita monitorada, com explicações e detalhes de cada quadro. Mas não mais.

Que a Monalisa de DaVinci tem um sorriso enigmático todo mundo sabe, então porque não perguntar a ela o que faz com que sorria assim? Atualmente no Museu de Planejamento de Pequim, você vai descobrir, se souber falar mandarim, que ela engravidou logo depois de um de seus filhos morrer. Parece loucura, mas não é! Pela primeira vez as tecnologias 3D, de reconhecimento de voz e holográfica, são usadas juntamente em uma exposição de arte que vai rodar toda a Ásia. Ainda é possível conversar com Jesus na famosa Santa Ceia e ouvir as esculturas de Apólo e Vênus se exibindo, comparando suas qualidades!

A tecnologia também é utilizada para visitações remotas – pela internet ou por museus. É o caso da Catedral de Sevilha, que pode ser explorada em 3 dimensões daqui do Brasil. Em espanhol ou inglês, o recurso funciona com a instalação de um plugin, disponível para Internet Explorer. O site é  fácil de manusear, bem intuitivo. Na fachada principal, a Porta de Assunção, você cruza com outros visitantes e no Pátio das Laranjeiras você ainda é surpreendido por uma revoada de pombas. O único problema é que toda vez que você clica em uma área nova (são 4 no total), tem que ficar esperando carregar de novo.

Vista 3D do interior da Catedral de Sevilha, faciilmente explorado com o mouse. Repare no visitante atravessando o saguão!

Vista 3D do interior da Catedral de Sevilha, facilmente explorado com o mouse. Repare no visitante atravessando o saguão!

A cidade de Roma é praticamente um museu gratuito e a céu aberto, já que por onde você passa, alguma ruína histórica é encontrada. O problema é que algumas não são disponíveis para os turistas,  e, obviamente, são todas ruínas. Mas, e se, você pudesse caminhar pela Via Flaminia intacta e interagir com os políticos da época? Graças ao Museu dos Banhos de Diocletian com um capacete com visor 3D você pode fazer isso e inclusive comparar o estado natural com o atual dos monumentos.

Este uso da tecnologia é chamado “realidade aumentada” e possui diversas aplicações: pode disponibizar o acesso de materiais diferentes enquanto você assiste um documentário sobre comunidade quilombolas ou até mesmo usar o já manjado Flash para unir de uma maneira única diversos vídeos que mostram a destruição dos Grandes Lagos entre os EUA e Canadá.

Enquanto esperamos nossas obras de arte sofrerem esse upgrade, vale a pena conhecer e explorar o mundo com os cliques do mouse.

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Filmes, muitos e muitos filmes

Sexta-Feira, 9 Outubro 2009 · Deixe um comentário

Colaboração especial para editoria de Comportamento por Beatriz Macruz

Em São Paulo, o cinema é que nem pizza: unanimidade. Pergunte a um paulistano qualquer se assistir filmes faz parte de sua rotina. A probabilidade de uma resposta afirmativa é muito grande. Na locadora ou nas salas de exibição, o cinema faz parte da confusa cultura paulistana, mas existe um pedaço dessa população que vê no cinema mais do que apenas um bom entretenimento rotineiro.

Não é a toa que o cinema é a chamada sétima arte. Há algo que se pensar e sentir sobre enquadramentos, direção de arte e trilhas sonoras, mas a cinefilia, que pela definição do Dicionário UOL – Michaelis é a apreciação das experiências que o cinema proporciona, envolve algo mais. “É como uma doença, um negócio hereditário”, descreve Carlos Macruz Filho, 49 anos de idade, que, com pelo menos 39 de cinefilia, freqüenta a Mostra de Cinema de São Paulo desde sua primeira edição, e contaminou esta que vos escreve, filha dele.

Ele acrescenta: “percebi que o cinema era a grande sacada da arte quando assisti na telona, no mesmo dia, Star Wars e Os Boas Vidas, do Fellini. Duas coisas, dois filmes, totalmente diferentes, mas maravilhosos em suas particularidades”. Dois filmes no mesmo dia? Outra característica do cinéfilo: quanto mais tempo na sala de cinema, melhor. Rafael Gomes, hoje formado em cinema pela FAAP, responsável pelo hilário vídeo Tapa Na Pantera, sucesso no youtube, passava tardes seguidas circulando pelas salas de exibição da cidade.

É uma relação de afeto, propriamente dita, a que o cinéfilo estabelece com as salas de cinema, e os paulistanos da categoria já elegeram as preferidas. Para Rafael, nada é mais charmoso que o bar instalado dentro da sala do Cinesesc, na Rua Augusta. Já a padaria do Reserva Cultural, que fica no prédio da Gazeta, em plena Av. Paulista, é a mais concorrida para uma conversa e um café após um filme, enquanto o Espaço Unibanco não perde para ninguém, com seu café, sua livraria especializada em cinema (no que mais poderia ser?) e as lojas e bares pitorescos em volta, que caracterizam a região.

A Rua Augusta e a Av. Paulista são congestionadas de adeptos da cinefilia. Talvez pela concentração de salas que há por ali. Mas uma paixão em comum traz outras coincidências. O filme Os Sonhadores, do italiano Bernardo Bertolucci, por exemplo, é mais uma unanimidade. O pano de fundo da história é Maio de 68, que traz questionamentos interessantes sobre os jovens daquela época e os da nossa, mas não é essa razão de o filme ser tão cativante. Bertolucci mistura cenas de clássicos, como Acossado, de Jean-Luc Godard, à história de seus personagens, que, por sinal, se autodenominam filmbuffs; a tradução literal de expressão “cinéfilo” para inglês. O resultado plástico é lindo de se ver, mas para o cinéfilo, toca mais fundo: “Os Sonhadores é uma declaração de amor ao cinema”, diz Carlos. E não é que a cinefilia também?

Trecho de Os Sonhadores:

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