Por Maria Confort

Avenida Paulista às escuras durante o apagão (Foto: Antonio Roberto Vilela Jr/VC no G1)
A população busca respostas sobre o blecaute que atingiu na noite desta terça feira (10), 15 Estados Brasileiros, e o Paraguai.
Primeiro, houve a especulação sobre a invasão hacker no sistema de energia do País, como foi dito pelo programa norte americano “60 minutes”. No último dia 8, o programa da rede CBS apontou, durante uma reportagem sobre a ameaça de ataques cibernéticos contra os Estados Unidos, que a causa dos dois apagões no Brasil ocorridos nos últimos quatro anos, foi o ataque de hackers aos mecanismos de controle do sistema energético brasileiro, mas essa hipótese foi negada pelo ministro das Minas e Energia, Edison Lobão.
Agora às atenções se voltam para a usina hidrelétrica de Itaipu. Na madrugada de hoje (11), a Estação Bandeirantes de Rádio mencionou durante a cobertura do apagão, que a causa do blecaute provavelmente foi um problema na usina hidrelétrica de Itaipu, já que o Paraguai também ficou no escuro, e a hidrelétrica além de abastecer a maioria dos Estados brasileiros, também gera energia para o Paraguai.
“O governo está mais interessado na recomposição do sistema, do que em determinar a causa”, disse o ministro Edson Lobão, em entrevista para a terra TV. E ainda reforçou a hipótese de que um problema atmosférico, iniciado na hidrelétrica, pode ter causado interferência nas linhas de transmissão, e atrapalhado a iluminação de todo o País.
Em contra ponto, a Itaipu Binacional divulgou uma nota na madrugada desta quarta-feira, tirando da usina a responsabilidade pelo início do problema, “A causa do blecaute não teve origem na usina de Itaipu. A hipótese mais provável é que tenha havido algum acidente que afetou um ou mais pontos do sistema de transmissão, inclusive o de Furnas, responsável por levar a energia de Itaipu para o Sul e Sudeste, acidente este que provocou outros, fenômeno que se costuma chamar de efeito dominó”, diz a nota.
O presidente Lula marcou para hoje (11) uma reunião emergencial, com o intuito de discutir e esclarecer as indagações do País a respeito do apagão.
Decorrendo ou não por um efeito dominó, tudo indica que o blecaute aconteceu devido à tempestade que caíra sobre as linhas de transmissão da usina de Itaipu.
Uma usina hidrelétrica gera energia através do movimento das turbinas em um rio. Um sistema elétrico de energia, que distribui o que foi produzido, é constituído por uma rede interligada de linhas de transmissão (transporte). Nessa rede estão ligadas as cargas (pontos de consumo de energia) e os geradores (pontos de produção de energia). Uma central hidrelétrica é uma instalação ligada à rede de transporte que injeta uma porção da energia solicitada pelas cargas.

Pessoas tentam encontrar carona na avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro. Estado carioca também foi afetado pelo apagão. Foto: Wilton Júnior/AE
A partir da declaração da Itaipu Binacional, resta a reflexão a respeito do potencial tecnológico do Brasil. Uma tempestade pode ter a força necessária para interromper o funcionamento do suporte elétrico de um País? Edson Lobão afirmou que o sistema é confiável e um dos mais eficientes do mundo, “o ocorrido foi um acidente”.
A explicação técnica é que, uma vez que uma linha de transmissão sai fora do sistema, por segurança outras linhas também são interrompidas.
O blecaute de ontem, primeiramente em todo o Centro-Sul do País, aconteceu por que um problema em um dos dois sistemas de tranmissão da estatal Furnas – que trazem energia da hidrelétrica de itaipu ao Brasil – provocou esse desligamento automático das turbinas da usina.
“Quando as linhas de transmissão são desligadas, a usina tem um mecanismo automático que desliga as turbinas para evitar problemas nos equipamentos”, disse o assessor da diretoria-geral do Paraguai em Itaipu, Hector Richer Bécker, em entrevista ao Estadão online.
Mesmo com toda a explicação técnica, a população continua confusa e desconfiada, “A gente lembra de outros apagões, mais a maioria foi por que estavamos gastando muita energia, não é?”, indagou a estudante de jornalismo, Gabriela Doninho.
Sim, nos últimos dois anos do governo FHC a população reduziu o consumo de energia por medo da crise do apagão em 1999, que teve início em uma subestação de energia elétrica da Cesp em Bauru (SP), ou seja, a população estava usando demais e isso exigia mais que a capacidade dos reservatorios de energia .
Mas em 2005 e em 2007, os apagões também foram causados por interrupção das linhas de transmissão da central Furnas (mesmo que hajam as especulações sobre uma invasão hacker), e isso deixa Gabriela preocupada, “o que vai acontecer daqui pra frente? É a força da natureza, o descaso dos responsáveis pela nossa segurança, ou tem algum outro motivo escondido e ninguém conta pra gente?”.
A hidréletrica de Itaipu já funciona normalmente, mesmo no mal tempo.
(Confira a cobertura do apagão feita pelo PUCf5, visitando os posts antigos e atualizando sempre a nossa página!)















