Por Ana Carolina Andrade Santos
Nesta terça-feira, 21 de outubro, o congresso nacional da Bolívia aprovou um projeto de lei para convocação de um referendo para validar a nova Constituição boliviana. Aprovado por mais de dois terços dos votos dos congressistas, o referendo será realizado no dia 25 de janeiro de 2009.
De acordo com o vice-presidente, Álvaro García Linera, o governo Morales aceitou modificar 100 artigos dos 411 do projeto da nova constituição para poder então chegar a um acordo com a oposição. A nova Carta da Bolívia é um dos principais argumentos da campanha de Evo, que abriu mão de tentar a reeleição em 2014 em prol do acordo. Com o texto original, o atual mandato seria tecnicamente anulado e com isso o presidente poderia se reeleger novamente. “Eu renunciei pela unidade do país a ser reeleito pela segunda vez, para que vejam que não sou egoísta”, afirmou Evo para a mídia internacional.
A sessão, que durou mais de 17 horas, foi acompanhada por milhares de bolivianos, que em sua maioria, participaram da Marcha pela Refundação do país, que chegou na segunda-feira, dia 20, à Praça Murillo, após uma semana de caminhada, de mais de 200 km. Protagonizada pelos movimentos sociais em demanda da convocatória do referendo constitucional, a marcha foi iniciada no dia 13, em Caracollo, no departamento de Oruro.
De acordo com o jornal Estado de S. Paulo, as principais mudanças que a nova constituição trará, acontecerão nos latifúndios, na autonomia governamental, na própria reeleição; nas emendas constitucionais; e nos sindicatos.
Além disso nesta semana, de 23 a 25 de outubro, será realizado em Santa Cruz de la Sierra, o Encontro Internacional de Solidariedade com a Bolívia, com o tema “Quem se levanta com a Bolívia e Evo se levanta por todos os povos e para todos os tempos”, para ressaltar a luta na América Latina por governos que combatam os privilégios das elites.

