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O sexo como beneficência

Sexta-Feira, 13 Novembro 2009 · Deixe um comentário

Por Marina Novaes

Quem ganhou o troféu Bandeira Paulista, na categoria ficção, da 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, foi o filme “Voluntária Sexual” , do diretor coreano Cho Kyeong-duk. Ele aborda o tema de mulheres que se voluntariam para fazer relações sexuais com deficientes físicos.

Mas houve várias críticas em relação à estrutura do filme, que trabalha com a metalinguagem. Uma reportagem é realizada em torno de uma estudante de cinema, um padre e um deficiente físico encontrados em um motel por policiais e que são presos sob a acusação de prostituição. Isso passa a idéia de um documentário que foge da ficção.

Ao ler a sinopse o público vai ao cinema com certa curiosidade em saber como irão ser mostradas as cenas de sexo entre um deficiente físico e uma “voluntária”. Porém, o filme foca em vídeos que contém gravações do estudo da menina sobre o deficiente e outros aspectos da prostituição, transpassando uma visão humanitária daquela ação, além de depoimentos de sua mãe e de seu namorado. O diretor opta por filmar a relação sexual de maneira sutil, focando em pés tortos e no rosto, o que decepcionou alguns espectadores.

O júri para conceder o Troféu Bandeira Paulista é composto pela diretora brasileira Suzana Amaral, o diretor chileno radicado na Itália, Marco Bechis, o crítico francês Jean-Michel Frodon, o cineasta turco Ali Özgenturk e o diretor sérvio Goran Paskaljevic. Para fazer a seleção, eles assistem cerca de 15 filmes selecionados entre os mais bem votados pelo público na primeira semana.

A maioria do público e dos jurados não teve preconceitos em relação ao nome do filme e ao tema abordado. Mas alguns acreditam que o longa expôs muito os deficientes físicos ao centrar em imagens que mostram suas dificuldades em falar, andar e deitar e por outro lado demonstrou a menina lidando com aquela situação de “voluntariedade” de maneira normal, como se os deficientes não tivessem nenhum problema. Falar de questões reais se valendo da ficção não é para qualquer um.

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Passo a passo literalmente

Quinta-feira, 29 Outubro 2009 · Deixe um comentário

Every Little Step

Cena do musical refeito em 2006

O “background” da segunda versão de um dos fenômenos da Broadway, Every Little Step – por trás de A Chorus Line, está nas telas da 33ª Mostra Internacional de Cinema. O documentário mostra todo o processo de refeitura da peça “A Chorus Line”, que ficou em cartaz durante 15 anos, entre o início da década de 70 e o fim da de 90, até a repetição de seu sucesso em 2006. Podemos chamá-lo de investigação. Como foi possível fazer tanto sucesso durante tanto tempo?

A história do musical retrata a vida sofrida de 17 bailarinos, seus problemas, ambições e todos os componentes de intrigas, picuinhas e lutas que acontecem por trás das cortinas dos teatros e casas de espetáculos. Já o documentário, nos mostra cenas do processo de audição, que selecionou outros 28 artistas para fazerem parte de um elenco novinho em folha, entrevistas exclusivas com os novos candidatos e com o antigo elenco do musical e pedaços de gravações dos bate-papos iniciais entre Michael Bennett, um dos melhores coreógrafos da Broadway de todos os tempos e criador do musical, e seus amigos que ajudaram a produzi-lo. Além disso, entende-se o porquê da atemporalidade e universalidade de uma idéia que surgiu nos primeiros workshops de dança, que também têm partes no documentário, promovidos pelo dançarino. Michael Bennet criou “Chorus Line” para contar o que acontece nos bastidores do mundo dos grandes shows.

Nós espectadores entramos em contato com os mínimos e essenciais detalhes da vida de cada um dos participantes, o difícil trajeto a ser percorrido por bailarinos que buscam o sucesso dos mais cobiçados palcos do mundo. Memória, disposição, preparação física, psicológica, boa voz, dons artísticos, postura e carisma são os preceitos básicos para uma tentativa no mundo da fama, e a eliminação parte daí.

O sucesso de “Chorus Line” tem seu segredo finalmente revelado: a simplicidade de uma idéia e de uma história e a disposição de seus personagens, em vida real e artística. A beleza do show se intensifica, a partir do momento em que se tem contato com suas “coxias”.

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A Mostra vem aí…

Sábado, 10 Outubro 2009 · Deixe um comentário

Por Patrícia Pereira

O mês de outubro chego! E com ele, mais uma edição da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo , em seu 33º ano consecutivo. Este ano o evento vai ocorrer entre os dias 23 de outubro e 5 de novembro e terá filmes sendo exibidos em mais de vinte salas de cinema. A partir do dia 17 de outubro, os cinéfilos de plantão já poderão adquirir ingressos na “Central da Mostra”, montada no Conjunto Nacional da Av.Paulista, ou pela internet. As vendas vão desde ingressos avulsos a pacotes integrais. Para saber sobre esses pacotes, entre na página específica do site da mostra.

O filme de abertura oficial será À Procura de Eric, de Ken Loach, filme indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes. O evento de abertura ocorrerá no Auditório do Iburapuera.

Além do site da Mostra, há também o blog da Mostra, contando com maiores informações de filmes e novidades sobre o evento! Vale a pena checar.  Lá você encontra, por exemplo, notícia sobre a morte de um documentarista, Christian Poveda, cujo filme La Vida Loca será exibido na 33ª Mostra. Sua morte relaciona-se com o conteúdo do filme: os “maras”, gangues locais de San Salvador.

O blog também é uma ótima pedida por trazer informações sobre outros festivais e eventos cinematográficos, como o Festival de Locarno.

Só nos resta esperar… mas a Mostra vem aí!

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Feriado em Paraty

Sexta-Feira, 9 Outubro 2009 · Deixe um comentário

Por Fernanda Miranda e Gabriela Costa

Nesse feriado, dos dias 9 a 12 de outubro, acontecerá o II Festival de Cinema de Paraty. Esse festival se diferencia da maioria por ser reflexivo e não competitivo. Ele tem o intuito de incentivar a produção cinematográfica abrindo espaço para novas idéias e novos profissionais. Além disso, proporciona o acesso das comunidades periféricas da cidade, além de se preocupar com a educação e a formação de cineastas. Para os cinéfilos de plantão o evento será uma ótima oportunidade para tomar contato com uma nova abordagem.

O evento terá exibições especiais de filmes franceses, desde os clássicos até os contemporâneos, em comemoração ao ano da França no Brasil além de promover debates com os figurões do cinema francês. A edição passada contou com mais de 10 mil pessoas durante os cinco dias de programação, e teve pré-estréias como “Romance” e “Titãs – A vida até Parece uma Festa”. Já a deste ano, na Cinetela Brasil terá apresentações de filmes prestigiados do ano como o francês “Entre os Muros da Escola” e os brasileiros “Divã” e “Jean Charles”.

Um dos destaques do evento será o filme “Viajo porque Preciso, Volto porque te Amo”, de Marcelo Gomes, diretor de “Cinema, Aspirinas e Urubus” e Karim Äinouz, de “Madame Satã”. O filme conta a história de Renato, geólogo, que atravessa o sertão do nordeste para avaliar a possibilidade de canal que resultará da transposição das águas do rio São Francisco. Ao longe da viagem, porém, ele se recorda da esposa, Joana, da qual acabou de se divorciar. As imagens do filme, que foram coletadas entre 1999 e 2009, são fragmentadas, efêmeras e instáveis, assim como o sentimento de Renato por sua ex-esposa: ao mesmo tempo que a ama, a odeia, e ora deseja retornar para casa, ora deseja continuar em sua pesquisa.

Cena do filme "Viajo porque preciso, Volto porque te amo"

Cena do filme "Viajo porque preciso, Volto porque te amo"

Além desse, outros importantes filmes nacionais e internacionais serão exibidos. A programação completa, além da divulgação de palestras e exposições, está divulgada no site do Festival. Confira!

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Vida longa e doce

Sábado, 26 Setembro 2009 · Deixe um comentário

Marcello e Sylvia: a famosa cena na Fontana di Trevi

Marcello e Sylvia: a famosa cena na Fontana di Trevi

Por Beatriz Macruz


Você provavelmente já ouviu falar de um filme meio estranho, de um cineasta italiano de nome mais estranho ainda (Federico?), onde uma loira linda, meio esquisita também, mergulha de roupa e tudo numa fonte famosa que fica em Roma (aposto que você sabe o nome da fonte: Fontana de di Trevi) e grita “Marcello! Marcello!”. Se você não reconheceu nenhuma dessas figuras, com certeza já ouviu o termo “papparazzi” e não escapou da influência que A Doce Vida teve, e ainda têm, no imaginário da nossa sociedade.

O filme, do cineasta italiano Federico Fellini, foi re-exibido, quase 50 anos depois de sua estréia, na última semana, no Ciclo Folha de Cinema e Jornalismo. Seria de espantar se eu contasse que a sessão estava lotada?

A obra de Fellini, as atuações de Marcello Mastroianni e Anita Ekberg e, sem dúvidas, a Fontana di Trevi, jamais seriam esquecidas depois de a A Doce Vida. O filme ainda imortalizou o termo paparazzi; referência ao nome do fotógrafo que acompanha o jornalista interpretado por Marcello Mastroianni, em suas andanças pela Roma pós-guerra, responsável por cenas hilariamente constrangedoras.

Pode-se dizer que A Doce Vida é, de fato, inteiramente engraçado e constrangedor. A angústia do personagem Marcello (Marcello Mastroianni), seduzido pela vida frívola da alta sociedade romana, mas ao mesmo tempo infeliz e frustrado, constrange a nós, espectadores, capazes de rir do tédio que ele não suporta, mas do qual não pode escapar, pois, entre outras razões, é divulgando esse cotidiano nos jornais que ele sobrevive.

A temática do filme, a superficialidade da vida burguesa, não é nenhuma novidade, mas nunca, até então, um diretor a retratara de forma tão intensa. Em dados momentos do filme, sentimo-nos mais entediados e acuados do que o próprio Marcello, mas segundos depois estamos rindo gostosamente do fotógrafo Paparazzo, que não tem nenhum escrúpulo e invade todas as intimidades que aparecem pela frente. A direção e a estética de Fellini, tão particulares, se apoderam de nós, e não nos deixam ir a lugar nenhum sem sua permissão.

De 1960, quando o filme estreou e ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, para cá, os paparazzi se proliferaram por todas as partes, a sociedade atual é tão ou mais superficial quanto àquela que Fellini ousou descrever. Anita Ekberg, ou Sylvia, tão efêmera em cena quanto a própria doce vida, imortalizou, acompanhada de Marcello, a Fontana di Trevi. No dia da morte de Mastroianni, em dezembro de 1996, vários de seus fãs entraram na fonte durante a noite, em homenagem a cena que mesmo aqueles que não viram o filme sabem qual é. Não há nada menos surpreendente e atual do que uma sala de cinema lotada, quando se trata da exibição deste filme. A Doce Vida permanece como obra de arte; constantemente se re-significando no imaginário cinematográfico mundial.

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Sessão dupla

Terça-feira, 1 Setembro 2009 · 1 Comentário

por Beatriz Macruz e Marina Novaes

 No fim de semana passado, fizemos uma sessão dupla e chegamos à conclusão de que todos estamos à deriva. O novo filme de Heitor Dhalia aparenta ser muito diferente de seu trabalho anterior, O Cheiro do Ralo, que era, literalmente, um filme estranho de gente esquisita. Nesse trabalho, Dhalia construiu uma atmosfera suja e degradante, embora nos pareça muito difícil no início, acabamos nos afeiçoando.

    Em À Deriva, o diretor vai pelo caminho oposto. Na linda paisagem de Búzios, ele constrói um filme solar sobre uma família em férias de verão. Ou não. Aos poucos, os curiosos enquadramentos que buscam sempre os detalhes das cenas quase sempre luminosas revelam o que há nas sombras. Vemos a menina Felipa descobrir a inevitabilidade do fim do casamento de seus pais e da chegada do mundo adulto. A atriz Laura Neiva, que interpreta Felipa, com muita delicadeza e sentimento, aliás, é estreante (descoberta pelo Orkut!) e postou comentários e impressões desse seu primeiro trabalho em seu perfil no twitter, durante as filmagens.

    Perdida nesse universo de inevitabilidades, ela é a responsável pela sensação que permeia toda a película e, também, pelo seu título. Todos estamos à deriva. Aos poucos, suas angústias tomam conta da tela, conduzindo-nos às de todos os outros personagens. Vincent Cassel, ótimo pai, porém infiel à mulher, Débora Bloch, que está linda e honesta em seu papel, e até os irmãos mais novos da menina estão imersos na crise que se instala à volta deles.

    Tanto na primeira quanto na última cena, ambas dentro d’água, a idéia de que estamos vagando, ora imersos, ora na superfície de nós mesmos e do mundo a nossa volta, soa mais bela e reconfortante, e até desejável. Há inúmeras direções que se pode tomar, tanto para melhor quanto para pior, e todas elas estão transbordando de mar.

poster

Também nos surpreendemos com o cinema internacional. Narrado pelo próprio protagonista, o filme “Bruno” relata a história de um repórter de moda austríaco gay que se envolve em alguns problemas e decide ir para Los Angeles em busca da fama.

 O criador do personagem, Sasha Cohen, aborda diversos fatores, como o preconceito em relação à homossexualidade e a luta baseada no “custe o que custar” para ser famoso, se valendo de recursos apelativos, como a nudez, o sexo e a violência.
          

Focado na intenção de chocar o público, o filme escancara os problemas da sociedade, evolui até para uma dimensão global e satiriza a situação dos conflitos no Oriente Médio, além da adoção de crianças, principalmente negras, por celebridades que objetivam um lugar de destaque e a impressão de uma boa imagem com a prática da caridade.

Com participações especiais, como o cantor Bono Vox, o rapper Snoop Dogg e o Slash, o encerramento se dá com a gravação de uma música piada composta pelo personagem Bruno, “Dove of Peace”, que ironiza a grande questão mundial, a paz. Através de um enredo estranho e imagens fortes, o filme transmite mensagens subliminares, de maneira escrachada e vulgar, que obrigam o espectador a relacioná-lo com a realidade para que uma compreensão além do simples olhar seja feita.

 

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Ian Curtis: um astro do pós-punk

Quarta-feira, 5 Novembro 2008 · Deixe um comentário

Por Natália Senóbio

 

90_1924-joy1A 32ª Mostra Internacional, realizada entre os dias 17 e 30 de outubro, reuniu na cidade de São Paulo um grande público apaixonado por filmes. O Masp (Museu de Arte de São Paulo) foi um dos palcos dessa atração. Na terça-feira (28), exibiu o filme Control, do iniciante diretor Anton Corbijn, que relata a vida de Ian Curtis, conhecido internacionalmente por ser vocalista da banda Joy Division.

O grupo, formado por Curtis, Bernard Summer, Peter Hook e Stephen Morris, foi chamado inicialmente de Warsaw e se consagrou no gênero pós-punk com as canções Love will tear us apart, She’s lost control, Shadowplay e Discorver.

O longa narra desde a infância conturbada de Curtis até o seu suicídio em 18 de maio de 1980, aos 23 anos. A história mescla momentos importantes da trajetória pessoal e profissional do vocalista ao passar por episódios como o seu conturbado casamento com Deborah Curtis, o nascimento de sua filha Natalie, seu caso extraconjugal com a belga Annik Honoré, seus ataques epilépticos, além de mostrar seu sucesso no cenário da música internacional.

A epilepsia lhe rendeu algo memorável: um jeito único de dançar, inspirado inconscientemente nos movimentos em que realizava durante seus ataques.

Os ataques epilépticos cada vez mais constantes e o divórcio conturbado com Deborah são apontados por Corbijn como as prováveis causas do suicídio de Curtis. O incidente ocorreu alguns dias antes da primeira turnê internacional que o Joy Division iria realizar pelos Estados Unidos.

Os integrantes remanescentes do grupo formaram uma nova banda chamada New Order, que também ficou muito famosa.

Control foi inspirado no livro Touching from a distance e ganhou o prêmio de melhor filme europeu no festival de Cannes. Se chegar às locadoras brasileiras vale a pena conferir a história de um dos maiores astros do pós-punk. foto_casamento

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A estrela brasileira

Quarta-feira, 5 Novembro 2008 · Deixe um comentário

por Laura Leal

O “top model” do cinema brasileiro Rodrigo Santoro está em São Paulo para divulgar um dos últimos filmes internacionais em que participou: “Che”. Junto com Benício del Toro, ele falou com a imprensa sobre a película. Mas a carreira de Santoro não se resume aos filmes gringos. Sua trajetória no cinema nacional foi a vitrine para ele despontar no exterior.
Antes da virada do século Santoro fez pequenos papéis em filmes brasileiros, “Como ser solteiro”, de Rosane Svartman; “A ostra e o vento”, de  Walter Lima Jr. entre outros. Mas seu sucesso veio em 2001 ao protagonizar Neto no filme de Laís Bodanzky, o consagrado “Bicho de Sete Cabeças”.

Esse personagem rendeu ao ator alguns prêmios em festivais nacionais. No mesmo ano Santoro interpretava Tonho, no “Abril Despedaçado”, de  Walter Salles. Depois desses dois trabalhos Santoro delanchou para uma carreira internacional inicialmente tímida, ao fazer uma pequena participação nas “Panteras II”.

Mas nem com toda sua visibilidade no exterior Santoro abandonou o cinema nacional. Em 2003 ele interpretou um travesti em “Carandiru”, de Hector Babenco. Outra grande prova da capacidade profissional desse ator.

No decorrer de sua carreira os papéis em filmes gringos aumentaram, mas sem tirar o pé da sua terra natal, seu último filme brasileiro foi “Os desafinados”. Depois de grandes experiências aqui e fora, Rodrigo pode ser considerado além de um rosto bonito um ator dos grandes.

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Quem diabos é o Arctic Monkeys?

Quinta-feira, 30 Outubro 2008 · 1 Comentário

 Por Raul Júlio

Há na juventude uma vivacidade e intensidade que são inerentes somente a essa fase de nossas vidas. E, quando olhamos para uma banda como o Arctic Monkeys, em que os integrantes mal perderam as espinhas no rosto e, no entanto, são alardeados como a oitava maravilha do mundo, a frase a cima começa a fazer sentido.

 

Com dois álbuns de estúdio (muito) bem aceitos pela crítica, os garotos de Sheffield (Inglaterra) resolveram dar a cara à tapa e mostrar ao mundo o espírito de suas apresentações ao vivo no filme-concerto Arctic Monkeys at the Apollo. Exibido simultaneamente na última quarta-feira para Alemanha, Holanda e Brasil, o preview do DVD que será lançado em dezembro, revela toda crueza e jovialidade da banda que tem por característica tocar como se estivesse ensaiando na garagem de casa.

 

Durante pouco mais de uma hora, sustentando a guitarra quase no queixo, Alex Turner, o talentoso vocalista e compositor de todas as músicas da banda, faz às vezes de anfitrião para uma platéia sedenta por Rock’n’Roll que lotou a casa de show em Manchester para a última apresentação da turnê do álbum mais recente da banda, Favourite Worst Nightmare (Domino, 2007). Sem fazer firula os garotos mandam três sons na seqüência (Brianstorm, This House Is a Circus, Teddy Picker), parando só para agradecer com um inibido thank you. É assim durante as 18 faixas que compõe a apresentação. As músicas são cantadas em coro pela platéia – destaque para “When The Sun Goes Down” e “Fluorescent Adolescent” – enquanto os riffs originais da banda tomam conta do ambiente.

 

Já na metade do show, Turner convida ao palco seu amigo e companheiro no projeto The Last Shadow Puppets, Miles Kanes, para assumir a guitarra de “Plastic Tramp” em um dos highlights do espetáculo. Kanes, que também é vocalista da banda The Rascals, ainda auxilia um Turner tecladista em “505”.

 

Durante “A Certain Romance”, uma das últimas da apresentação, são exibidas cenas de bastidores e da vida dos quatro integrantes da banda que não tem mais que seis anos de existência, mas já é uma das principais do Reino Unido, por mais estranho que isso possa soar. Mas eles não se importam com todo esse burburinho em torno do grupo (vide a faixa “Who The Fuck Are The Arctic Monkeys?”), ou pelo menos parecem não se importar, tudo que eles querem é mostrar que, apesar da pouca idade, querem ser conhecidos pela música que fazem.

 

Há quem diga que os Monkeys ainda têm muita estrada para percorrer, quanto a isso não há duvida, o que não altera o fato de que a simplicidade e autenticidade de suas canções os tornam uma das bandas mais interessantes da música internacional.

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Dica na Mostra

Quinta-feira, 30 Outubro 2008 · Deixe um comentário

por Laura Leal

Tantas opções de filmes na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo que nos sentimos perdidos. Com filmes de toda parte do mundo, de vários gêneros como escolher? Na tentativa de assistir alguma coisa da Mostra, mas fugindo dos filmes badalados que formam filas enormes corremos o risco de uma grande roubada. Mas sempre vale a pena experimentar coisas novas e no mínimo surpreendentes.

Na sexta feira passada na sala do Ig Cine havia umas dez pessoas para assistir “Natal Bagunçado”, da diretora alemã Vanessa Joop. É mais um filme que passa despercebido na Mostra. Mas para quem se interessar em um filme leve e engraçado está lançada a dica.

A estrutura narrativa pode ser facilmente comparada aos filmes norte-americanos de comédia, mas voltado para um público mais adulto que mostra as mazelas das relações pessoais. A protagonista Sara está casada com seu quarto marido, Jan quando ela resolve fazer um natal diferente naquele ano chama todos seus exs. Para completar a festa estão inclusas as atuais mulheres e seus filhos. No decorrer do natal, ele se transforma em um grande acerto de conta que se inicia com a revelação de Sara aos convidados: ela está grávida de novo. Mas ela não sabe que Jan não pode ter filhos.

Transtornado com a notícia, Jan tenta descobrir qual foi o ex-marido que engravidou sua mulher. É nessa busca que os conflitos se transportam para os convidados. A vizinha de um dos casais, que nada tem a ver com as confusões familiares tem um papel importante, pois é ela a única que diz o que todos têm medo de falar. Como visitante daquela confusão ela exprime talvez questões até então sufocadas pelos laços afetivos.

Outro personagem que tem uma clara função na trama é o vizinho novo de Jan e Sara. Ele é o papai Noel da festa, e no meio de tanta confusão ele é o núcleo cômico da trama, todos os problemas recaem nele. Mas não é somente o papai Noel bêbado que diverte o público, o próprio Jan tem um senso de humor apurado, um pouco mais inteligente e menos forçado do que o do Noel.

Depois de choros, socos e pontapés o conflito é resolvido com outra revelação de Sara. Como nos filmes “light” da sessão da tarde todos acabam vivendo em completa harmonia. Vale a pena ver para alguns momentos de risadas.

 

 

 

 

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