O cantor e compositor Dorival Caymmi morreu na manhã do sábado, 16 de agosto, aos 94 anos, no Rio de Janeiro. Ele sofria de insuficiência renal e teve falência múltipla dos órgãos. Caymmi lutava contra um câncer renal desde 1999 e permanecia em internação domiciliar desde dezembro de 2007, ele se submetia ao tratamento, mas não sabia que tinha câncer e não queria saber.
Nascido em Salvador, na Bahia, Caymmi gravou mais de cinquenta discos em 60 anos de carreira e deixa mais de cem composições, entre elas “Eu não tenho onde morar”, “Maracangalha”, “O que é que a baiana tem?” e “Rosa Morena”.
Quase todos os discos com composições próprias, apesar de ter escrito poucas canções. No dia 24 de junho, completou 70 anos de carreira, a data em que estreou na Rádio Tupi.
O cantor deixa três filhos também músicos e a cantora Stella Maris, com quem era casado há 68 anos e que veio a falecer onze dias após a morte do marido.
Mais de 200 pessoas acompanharam o cortejo do corpo de Caymmi, realizado na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. Netos do compositor jogaram rosas brancas em cima do caixão, que estava coberto com as bandeiras do Brasil, Rio de Janeiro, da Bahia, da Mangueira e do Flamengo. “A morte dele é perder o maior professor das nossas vidas, afirmou Tom Zé, que está gravando um CD com a primeira canção chamada “Salvador, Bahia de Caymmi”.
Quantas Marinas não se embalaram com Dorival Caymmi? Se fossem morenas ou gostassem de pinturas sentiriam uma identificação perfeita. Muitos conheceram a canção pela serena voz de Adriana Calcanhoto e nem ao menos sabiam quem era seu autor. Sem falar nas inúmeras músicas que retratavam a Bahia e que representavam uma tradução dele mesmo, o jeito baiano de ser. E do famoso convite que fez ao mundo para conhecer através de Carmen Miranda “O que é que a baiana tem?”?
Aos 94 anos no dia 16 agosto Caymmi faleceu e deixou cerca de 20 discos em seus 60 anos de carreira. Ficamos com a sensação que não existirá separação entre ele e seu repertório musical. “Eu nasci com o samba no samba me criei e do danado do samba nunca me separei.”
“Não sou de dores nem de queixas”, assim Caymmi se definia, era um baiano de nascença mas carioca de coração.
Aos 16 anos compôs sua primeira musica, mas só ganhou considerado prestigio em sua carreira com o hit“O que é que a Baiana tem?” interpretado por Carmem Miranda no filme “Banana da Terra”, de 1938.
Inspirado nos hábitos, costumes e tradições populares, Dorival Caymmi cantou a Bahia para todos. Mas como ele próprio disse sua permanente inspiração foi o mar. Narrou a espera incerta das mulheres por seus maridos que partiam para a pesca, apresenta da morte e a vida dos pescadores.
Caymmi morreu em sua casa, em Copacabana, onde estava em internação domiciliar há mais ou menos um ano, por insuficiência renal. Fora as músicas, ele também deixa seus três filhos, Dori, Nana e Danilo, todos músicos.
Uma dica: todo seu acervo pode ser encontrado de graça no site Rádio UOL caso você seja assinante UOL ou Folha.
– Também aprenderam a enxergar a beleza d’O mar e descobriram a delícia que é o vatapá e oAcarajé…
– O importante é que mesmo depois de partir, o trabalho dele vai viver na voz de muitos outros que ele inspirou, como Caetano Veloso, João Gilberto, Chico Buarque e Gilberto Gil.
– Não se esqueça também que seus três filhos, Dori Caymmi, Danilo Caymmi e Nana Caymmi também cantam que é uma beleza!
– Acho que a gente não deve ficar triste, porque como ele mesmo cantava, É doce morrer no mar. Deve ser doce morrer olhando para o mar também, não acha?
– Acho sim. Mas vamos mudar de assunto e deixar o Dorival descansar em paz.
Os agudos de Carmen Miranda ainda relembram a figura do contador de histórias e seu importante papel como compositor, cantor, pintor e ator na década de 30 e 40. Se Jorge Amado escreveu a Bahia, Dorival Caymmi a cantou.
O baiano sabia ser original, era capaz de cativar todos os públicos com a sua voz. A riqueza na composição e o trabalho melódico aparecem em canções como “O que é que a baiana tem?” (1938), “Maracangalha” (1957) e “Oração de Mãe Menininha” (1972) fazendo desse artista uma personalidade de respeito e admiração.
A importância de Caymmi na MPB resulta da forma única de suas composições. Ele trouxe uma maneira diferente de expressar o mar e sua gente, tratando das coisas simples. Simples também, eram suas músicas. Ao debruçarmos com atenção, percebe-se uma riqueza melódica que chega a influir nos criadores da Bossa Nova, como João Gilberto e Tom Jobim.
Herdeiros do talento do gênio baiano, Dori, Danilo e Nana têm agora a missão de perpetuar o legado deixado pelo pai. Aos 94 anos, Dorival Caymmi deu adeus antes do sol raiar, no Rio de Janeiro, onde é doce morrer no mar.
Dorival Caymmi morreu. Pouco se sabia sobre ele, apenas que era baiano e havia composto Maracangalha, mas em uma rápida pesquisa já tomei grande simpatia: Em 1930, interrompeu os estudos, indo trabalhar no jornal O Imparcial. Quando o jornal fechou, passou a trabalhar como pracista, vendendo bebidas. Perdeu o emprego, quando, junto a amigos resolveu experimentar as amostras de bebidas. Passou então a desenhar tabuletas para casas comerciais. Por essa época, compôs sua primeira canção, denominada ‘No sertão’.” Depois morou no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde trabalhou como desenhista, casou e teve filhos.
Descobri também, que desde o começo deste ano o Natura Musical patrocina um projeto de Paulo Jobim, filho de Tom, que organizará e catalogará mais de 10 mil documentos textuais – entre agendas pessoais de 1965 a 1997, partituras manuscritas e reportagens -, vídeos caseiros e milhares de fotos do cantor. (Se você tem um projeto legal, pode mandar para a Natura aqui).