Por Lucas Martinez
Antes aos 20, hoje aos 40. Se até meados do século passado era comum trabalhar, casar, ter filhos e morrer cedo, atualmente essa precocidade cai por terra. O que se observa é que acontecimentos comuns têm sido adiados no cronograma da vida humana. Não raro vemos marmanjos de 30 anos ainda morando com os pais, ou idosos de 100, lúcidos e ativos. Na levada dessa mudança comportamental, o aumento da longevidade dos atletas é de chamar atenção.
Os torneios esportivos internacionais estão repletos de representantes outrora considerados velhos para competir. Mas para se manter em alto nível, os coroas do esporte precisam tomar uma série de cuidados desde o início da carreira. Dificilmente, uma vida boêmia na juventude permitirá bons desempenhos por muitos anos. Às vésperas dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, a fisiologista francesa Véronique Billat fez uma análise sobre o segredo da longevidade no esporte. O envelhecimento provoca alterações físicas como diminuição da frequência cardíaca máxima e maior dificuldade de síntese de massa muscular. “Aqueles (atletas) que saem na frente são os que aprendem a administrar essas pequenas mudanças”, avalia. Para isso, no que se refere às limitações físicas, as providências a serem tomadas são cuidados com alimentação, descanso e atenção com o próprio corpo. Mas fatores como motivação e amor ao esporte também são essenciais para o sucesso nas competições.
A nadadora norte-americana Dara Torres é exemplo de longevidade. Torres disputou cinco olimpíadas: Los Angeles (1984), Seul (1988), Barcelona (1992), Sidney (2000) e Pequim (2008), nas quais conquistou 12 medalhas. No ano passado, com 41 anos, tornou-se a primeira nadadora com mais de 40 anos a disputar uma olimpíada e as três medalhas de prata que faturou lhe renderam o recorde de primeira nadadora da história a conquistar medalhas em cinco edições dos Jogos Olímpicos. Hoje, aos 42 anos, Dara Torres é um caso de estudo. Isso porque conforme o tempo passa, ela fica cada vez mais rápida e melhora suas marcas, quando o natural seria ela perder agilidade com o avançar da idade. Afastada das competições desde o Mundial de Roma, por conta de uma cirurgia no joelho – ela sofre de artrite – a atleta ainda pretende ir a Londres, em 2012: “Pelo menos posso estabelecer como meta”, conta a nadadora e autora do livro “Age is Just a Number” (“A Idade é apenas um número”), em que traz memórias de sua carreira e dicas para se manter saudável.
Mudando das piscinas para as barras, traves e argolas, o búlgaro e grisalho Jordan Jovtchev é uma lenda viva da ginástica artística. Aos 36 anos, pode ser considerado um ancião do esporte que pratica, do qual muitos atletas se aposentam na faixa dos 20 anos de idade.
Estudos recentes apontam que a ginástica artística exige muito esforço e expõe demais o corpo dos atletas ainda jovens a contusões, deslocamentos e fraturas, o que a torna uma carreira muito curta, na maioria dos casos. “Descobrimos que a ginástica olímpica tem um dos mais altos índices de lesões entre todos os esportes”, afirma a pesquisadora Lara B. Mckenzie, do Nationwide Children’s Hospital, em Ohio. Jovtchev tem um currículo extenso de medalhas em campeonatos mundiais, olimpíadas e etapas de copa do mundo. O último grande resultado do ginasta não poderia ser mais recente: o segundo lugar no Campeonato Mundial de Londres, disputado entre 13 e 18 de outubro desse ano. Na final por aparelhos, Jovtchev assegurou a medalha de prata na sua especialidade: as argolas.
Aos 35 anos, nas Olimpíadas de Pequim:
Comprovando que o aumento da longevidade é uma tendência mundial, o Brasil também possui seus representantes mais velhos em algumas modalidades.
A levantadora Fofão, de 39 anos, abandonou a Seleção Feminina de Vôlei no ano passado – por opção própria, mas continua com fôlego de sobra no clube, o que faz com que ainda seja considerada a melhor do mundo na posição. Presença certa nas convocações desde 1991, Fofão coroou o trabalho de 17 anos na seleção liderando o Brasil na campanha invicta em Pequim e se tornando a atleta mais vitoriosa do vôlei brasileiro.









