Por Isabel Raia
A Unasul (União de Nações Sul Americanas) surgiu em maio de 2008 como um foro político para ajudar os países da América do Sul a resolver seus próprios problemas sem precisar recorrer a outras instituições.
Recentemente, a Colômbia anunciou que vai instalar bases militares norte-americanas com a intenção de combater o narcotráfico e as guerrilhas armadas em seu território, mas isso está causando tensão entre os seus países vizinhos. A maior parte dos governos não se sente confortável com a presença dos EUA do outro lado da fronteira.
Em agosto foi realizada uma reunião da Unasul em Bariloche (Argentina) que propunha um acordo entre os países, mas nada foi resolvido. Nesse encontro ficou clara a posição de cada país; uns foram mais radicais na oposição como é o caso da Venezuela, Bolívia e Equador; e outros foram mais políticos como Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, que mesmo não concordando com a atitude de Uribe evitaram um confronto direto que levasse a censura.
Além disso, o encontro foi palco de ‘alfinetadas’ entres governantes, como a de Alan Garcia, presidente do Peru, que provocou Chavéz ao perguntar sobre a exportação de petróleo venezuelano aos EUA e a de Tabaré Vazquéz, do Uruguai, que cutucou a Argentina por não concordar com as escalas de aviões britânicos feitas nas Ilhas Malvinas.
Sendo assim, foi necessária uma segunda reunião, que aconteceu no último dia 15 em Quito (Equador), para tentar encerrar a questão das bases militares na Colômbia, o que ainda não foi possível. Apesar do governo colombiano se negar a apresentar o seu acordo militar com os Estados Unidos, o encontro foi útil para fortalecer as relações entre o grupo.
Aparentemente, a Colômbia não agradou os presentes na reunião. Segundo Nicolas Maduro, chanceler venezuelano: “Bogotá optou por uma ‘aliança militar’ com os Estados Unidos em lugar da paz na região”. Já Hillary Clinton demonstrou preocupação: “é preciso adotar regras e mecanismos para garantir que as armas compradas não sejam desviadas para grupos rebeldes e organizações ilegais”.
A novidade desse encontro foi a compra de armamento russo feita por Chavéz, fato que causou especulação sobre uma possível corrida armamentista no continente e que desviou o verdadeiro foco da Unasul. Por isso o presidente do Peru enviou uma carta pedindo aos 12 países que assinassem um pacto de não-agressão militar e que a corrida armamentista fosse acabada.
O clima em Quito era de desconfiança e nervosismo o que não ajudou em nada na solução dos problemas do continente e adiou mais uma vez as decisões.
Apesar da importância dos fatos a mídia falou pouco do assunto.




