por Guilherme Zocchio e Pedro Moutropoulos
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…há bens que vêm para o mal.
A onda é de euforia com a internet: fortalecimento do espaço público, luta das minorias e, entre tantos otimismos, a crença no poder transformador da rede. O espaço, afinal, é livre para a manifestação de idéias; mas até que ponto ainda é livre de consequências negativas? Nessa onda da revoulação digital, infelizmente, coisas não tão boas assim também acontecem. Nazismo, pedofilia, racismo e tantas outras formas de violência buscam crescer e encontrar seus próprios espaço e seguidores. Navegar na rede nem sempre é como num mar de rosas.
Idéias reacionárias, até vistas como ultrapassadas, ganham certo poder nessa tempestade. Alguns partidos nazistas crescem e até encontram canais para divulgarem suas idéias em fóruns, chats e comunidades – hoje já não se vê, mas, há algum tempo no Orkut, não eram poucas as comunidades e os perfis com insinuações diretas ao racismo, ao anti-semitismo ou à intolerância sexual. E recentemente a Ku Klux Klan conseguiu, através da rede, ampliar suas influências, formando uma espécie de filial na Itália. Nessa onda, principalmente o racismo põe as caras.
Mesmo em conversas banais pelo MSN isso acontece. Sinal de que o problema está enraizado e de que pouca é a consciência desse processo. Mais do que em organizações ou partidos o racismo aparece em manifestações mínimas: em blogs, fotologs e comentários espalhados por toda a rede. Tão dispersos quanto a pornografia, que esconde na explosão de seu conteúdo, além de outras formas de violência, a pedofilia.
Basta fazer uma pesquisa nos buscadores da internet com algumas das palavras-chave “pedo”, “pedofilia”, “lolita”, para se ter uma noção da quantidade existente desse conteúdo. Sem cair num moralismo barato, muitas vezes o que aparece é produzido e veiculado por próprios jovens – até mesmo pré-adolescentes -, influenciados de uma maneira ou de outra por essa moda. Episódio emblemático aconteceu na cidade de Ibirubá, no Rio Grande do Sul, onde uma menina de 11 anos e um menino de 14 anos fizeram sexo, filmaram e colocaram o vídeo na internet. A influência foi externa e provavelmente veio da internet, já que o conteúdo é livre.
E o grande problema é que a visibilidade alcançada por todas estas formas de violência toma proporções muito maiores na web. Qualquer pessoa, adulto ou criança, pode abrir sem restrição qualquer destas páginas e permitir que este conteúdo chegue à própria casa. E não há um filtro artificial. Mas há as escolhas pessoais e o compromisso ético. Se há por um lado, na internet o fortalecimento do espaço público; por outro, isto deveria ser usado para fortalecer um conteúdo mais limpo, progressista e menos violento na internet.
![NAZISMO+PRO+LIXO[1] NAZISMO+PRO+LIXO[1]](http://pucf5.files.wordpress.com/2009/11/nazismoprolixo1.png?w=318&h=320)



